quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tao Te Ching, Lao Tsé, Lao Tzu


O TAO TE CHING



1 - O CAMINHO PARA O TAO

O Tao de que se pode falar não será o Tao eterno.
Se pudermos dar-lhe um nome, não será o Tao eterno.
Aquele que não tem nome é a origem do céu e da terra;
aquele que tem nome é a mãe de todas as coisas.
Assim, quando estamos sem desejo podemos observar indescritíveis maravilhas;
quando estamos demasiado ávidos, não vemos mais que vestígios.
Ambos provêm da mesma fonte,
Mas trazem nome diferente.
Ambos são chamados Misteriosos.
O mistério do Misterioso é a porta que dá acesso às maravilhas indescritíveis.


2 – O CONHECIMENTO DIALÉTICO

Se o mundo concorda sobre a beleza, é porque existe a feiúra.
Se todos concordam sobre o bem, é porque existe o mal.
O “ser” e o “não-ser” nascem um do outro;
o difícil e o fácil são complementares;
o longo e o baixo nascem por comparação;
o alto e o baixo são interdependentes;
o som e o silêncio estão em mútua harmonia;
o anterior e o posterior são correlativos.
É por isso que o Sábio entrega-se ao Não-agir, e ensina silenciosamente.
As coisas inumeráveis são feitas sem a menor palavra.
A Natureza dá nascimento mas nada possui.
Ela age, mas não exige nenhuma submissão.
Ela tem mérito, mas não o reclama.
O fato de que ela nada pretende a torna indispensável.


3 – O GOVERNO DO SÁBIO

Não exaltar os homens de valor impede as pessoas de rivalizar;
não ambicionar coisas raras impede as pessoas de roubar;
não exibir o que possa ser desejável evita profanar o coração das pessoas.
É por isso que o Sábio dirige sua vida esvaziando seu coração, reforçando seu estômago,
suavizando suas ambições, reforçando seus ossos.
Fazei sempre de modo que as pessoas não tenham conhecimento nem desejo;
fazei de modo que os intelectuais não ousem interferir.
Que haja não-ação e nada ficará fora da ordem.


4 – O VAZIO INESGOTÁVEL

O Tao é um vazio, mas, quando dele se faz uso, não se esgota jamais.
Ele é tão profundo que parece ser a fonte de todas as coisas.
Embota o que é agudo, resolve os problemas;
torna difuso o brilho que ofusca, unifica o mundo;
Que profundidade! Parece que há aí qualquer coisa.
Não sei de onde ele saiu.
Dir-se-ia que sua existência é anterior à do Ancestral.



5 – O TAO NÃO TEM PREFERÊNCIAS


O Céu e a Terra não são humanos; eles tratam as inumeráveis coisas como cães de palha.
O Sábio não é humano; ele trata as pessoas como cães de palha.
O espaço entre o céu e a terra é comparável a um fole: vazio, mas inesgotável;
acionai-o e ele produz sempre mais.
Quem muito fala logo se esgota.
Nada é tão bom quanto permanecer no centro.


6 – A VIDA É INESGOTÁVEL E IMORTAL


O espírito do vale nunca morre. Ele é chamado de Mulher Misteriosa.
A porta da Mulher Misteriosa é chamada raiz do céu e da terra.
Ele permanece em seu vestígio; usai dele sem vos apressar.


7 – ALTERIDADE, FONTE DA PERENIDADE


O Céu e a Terra permanecem para sempre.
A razão de sua longevidade reside em sua capacidade de não viver para si mesmos.
Também podem produzir eternamente.
É por isso que o Sábio permanece retirado, mas chega em primeiro lugar.
Considerando-se como à parte, ele se encontra na corrente principal.
Não é por falta de egoísmo que ele se realiza?


8 – A MELHOR ATITUDE


A melhor atitude é semelhante ao comportamento da água.
A água serve a todas as coisas sem rivalizar com elas.
Ela procura os lugares que o homem abomina.
Assim fazendo, ela se aproxima do Tao.
Para vossa moradia, escolhei bem vosso terreno.
Cultivando o coração-espírito, sondai as profundezas.
Em vossas relações com as pessoas, tratai-as bem.
Quando falardes, esforçai-vos por cumprir a palavra.
Quando governardes, corrigi vossa atitude.
Quando servirdes, servi bem.


9 – EVITAR O USO DO SUPÉRFLUO

Encher uma taça até a borda não é tão bom quanto parar.
Afiar demasiadamente uma lâmina acabará por torná-la cega.
Se encherdes vossa casa de ouro ou de jade, ela não estará em segurança.
Com a riqueza e a honra vem o orgulho, e os defeitos que daí decorrem são ornamentos.
Uma vez terminado o trabalho, retirai-vos.
Assim é o Tao do Céu.


10 – DESAFIOS DA VIRTUDE DA PROFUNDIDADE

Podes unificar o espírito do sangue e o espírito do sopro sem que eles de novo se separem?
Concentrando a respiração para obter a elasticidade: és capaz de ser como um bebê?
Purificar a Visão Misteriosa: podes fazê-lo perfeitamente?
No amor do povo e no governo da nação: pode fazer com que o povo seja desprovido de saber?
Abrir e fechar a porta do Céu: podes realizar o papel da Mulher?
Espalhar a iluminação nas quatro direções: podes fazê-lo sem ação consciente?
Produzi e aprovisionai uma boa redondeza: produzi, mas não possuais.
Agi, mas não controleis.
Fazei brotar, mas não ceifeis.
Chama-se a isso a Virtude da Profundidade.


Para os iniciantes no caminho do Tao, ou mesmo para os que já o seguem a mais tempo, leiam a obra completa neste excelente site abaixo:

Scribd.com - Tao Te Ching
Tradução e introdução: Ivo Storniolo
Compilação, organização e digitalização: Lumensana

2 comentários:

Palavras de Osho disse...

A forma como o Tao é citado nesses textos é maravilhosamente poética. Aliás, acho que a melhor forma de entender o Tao é pela poesia.

Abs,

Vivi disse...

Concordo com você. Também gosto muito da interpretação poética (ou em forma de poesia) do Tao.

Vou colocar todos os versos aqui aos poucos. Se bem que até prefiro ir colocando os versos aqui aos poucos, para absorver cada um com bastante calma.

Abraços!

Vivi