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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sementes Para a Alma


Em minhas peripécias pela Internet em busca de imagens bonitas, encontrei esse livro que com certeza irei comprar. Às vezes ainda me impressiono com a capacidade que o universo tem de nos proporcionar exatamente o que precisamos em um determinado momento de nossas vidas. Ou de nos enviar algo para o qual já estamos suficiente preparados para uma assimilação melhor. Acho que aconteceu isso com esse livro, Seeds for the Soul. Ou "Sementes para a Alma", de Chuck Hilling.





Seguem alguns trechos que copiei e traduzi de páginas gratuitas, disponibilizadas pelo autor.

A jornada de nossas vidas é uma peregrinação que está sempre indo de um lugar sagrado até outro lugar sagrado.

E a própria estrada pela qual viajamos desde um desses lugares sagrados até o outro é, ela mesma, sagrada.

Não importa em que condições sua vida esteja nesse momento, você está sempre dentro do Templo do Divino.

Seu coração é verdadeiramente abençoado.


Só porque você tem vontade de fazer algo ruim, não significa que você tenha que fazê-lo.

Lá no fundo de nossas almas, nós todos temos esses compartimentos secretos de patologia.

Todos eles, no entanto, devem ser completamente reconhecidos como tal, respeitados, honrados e abraçados por nós.

Observe sua própria insanidade... e depois disso, siga em frente.

A maior parte dos problemas que temos com outras pessoas geralmente começa com nossos próprios problemas quanto à nossa condição de seres humanas.


Seus sentimentos não o perturbam.

O que o perturba são suas crenças sobre o que você acha que deveria estar sentindo ao invés do que realmente sente.

Em outras palavras, você está num jogo de "se isso" e "se aquilo" consigo mesmo.

E essas perturbações apenas aumentam a forma com que você se sente:

  • Com raiva... de sua raiva.
  • Triste... com sua tristeza.
  • Com medo... de seu medo.
  • Desgostoso... com seu desgosto.
  • Culpado... por sua culpa.
  • Envergonhado... de sua vergonha.
  • etc. etc. etc.

Dê a si mesmo a permissão de sentir 100% de seja lá o que você estiver sentindo em um determinado momento.

Você não tem que se sentir chateado por estar se sentindo chateado.

Apenas se sinta chateado e só.



...
"Acreditar em algo traz esse algo para a realidade. O verdadeiro mágico é aquele que consegue resistir à tentação Egóica (do ego) de resistir à vida. Como resultado, ele se mantém conectado à sua própria divindade e consegue sentir o êxtase do Divino. O benefício em termos humanos é que quando nós não temos que lidar com o que a vida nos traz, nós nos libertamos para amar e viver de verdade. E fazer aquilo que você realmente ama é a origem de toda a abundância real e duradoura. Eu não sei explicar isso e nem me importa fazê-lo. A verdade é que é evidente que quando as pessoas confiam na vida o suficiente para conseguirem expressar suas verdadeiras naturezas e propósitos, todas as formas de riqueza passam a se manifestar em suas vidas. Isso é algo realmente inacreditável. Mas verdadeiro."


Desconheço a autoria


Original, in English: learntoforgive.com

terça-feira, 2 de setembro de 2008

"Quando você consegue parar e deixar que seu ser repouse, você se transforma em um canal para que algo indescritívelmente lindo e maravilhoso chegue ao mundo através de você. Esta é a verdadeira magia. É a sublime eternidade para a qual você desperta quando você começa a servir algo que é maior do que seu próprio desespero para sobreviver."


"When you stop and let your being come to rest, you become a channel for something indescribably beautiful and wondrous to come into the world through you. That’s what real magic is about. It’s about the sublime eternity you wake up in when you begin serving something bigger than your own desperation to survive."

William Whitecloud


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Crescimento Através das Perdas

Crescimento Através das Perdas

Por Judith Viorst


As perdas são parte da vida. As perdas são importantes porque para crescer temos de perder, abandonar, desistir.
A estrada de desenvolvimento humano é pavimentada com renuncia.
Durante toda a vida crescemos desistindo. Abrimos mão de alguns dos nossos mais profundos vínculos com pessoas muito queridas. Abrimos mão de alguns dos nossos mais profundos sonhos, relacionamentos, desejos, expectativas.
Temos de enfrentar o fato de que jamais seremos tudo que gostaríamos de ser. Que jamais teremos tudo que gostaríamos de ter.
Abrimos mão de algumas ilusões mais profundas sobre nós mesmos. Por mais inteligentes que sejamos, temos de perder.
Nós temos de concordar: perder é muito difícil e doloroso. Consideremos, entretanto, que só através das perdas nos tornamos seres humanos verdadeiros, plenamente desenvolvidos.
Na verdade, para compreendermos a vida, as nossas vidas, precisamos analisar como enfrentamos nossas perdas. As pessoas que somos e a vida que vivemos são determinadas pela maneira de enfrentamos nossas perdas.
Mas olhar para as perdas é ver como estão definitivamente ligadas ao crescimento, ao auspicioso Ganhar Perdendo, ao começo de uma vida com sabedoria.

sábado, 16 de agosto de 2008

A Suprema Sabedoria

Lilás - a cor da suprema sabedoria


A Suprema Sabedoria

Por Prem Rawat


Às vezes somos envolvidos por tudo o que está acontecendo no mundo e isso nos deixa incrivelmente confusos. As pessoas dizem: "É assim". Fala-se de Deus, da vida após a morte, da vida antes da vida.

A única coisa que é relevante é que estou vivo. Agora.

A vida tem a ver com o agora. Certa vez me disseram que fui um imperador na minha vida passada. E daí? Quando se vive a vida por meio de explicações talvez seja importante saber o que a gente era numa vida passada ou o que acontecerá depois desta vida. Mas, quando se vive entendendo o valor desta vida, todas essas coisas são irrelevantes. A única coisa que é relevante é que estou vivo. Agora.

Quando se vive de explicações só se cria uma coisa. Confusão. Quando se vive pelo valor de sua existência hoje o que se cria é clareza, simplicidade, gratidão, entendimento. Não especulação. Se você disser: "Explique por que meu pneu furou", certamente encontrará alguém para lhe explicar. Não há falta de explicadores.

Por quê? Porque na verdade não sabemos. É fácil dizer: "Sou José, ou Maria ou Patrick. Desculpe. Você não é isso. É outra coisa. É fácil dizer: "Minha mãe se chama isso, meu pai se chama aquilo". Mas somos mais do que isso. "Tenho diploma universitário. Sou formado. Sou doutor. Sou advogado. Sou isso. Sou aquilo. Não, você é mais do que isso também. "sou uma dona-de-casa". Não. É mais do que isso. "Sou mãe. Sou pai." Você é mais do que isso também.


Todas essas relações pelas quais você se orienta são relativas. Elas são e deixam de ser. Você está em processo de mudança. Embora não pareça. É preciso entender o que está mudando e o que não está. Neste rio da vida, você está num barco em movimento. Quando você olha para fora, parece que tudo o que você vê está se movendo. Não está. Está parado e continuará parado. Você é que está se movendo e não estará mais no mesmo lugar.

O que é perecível? O corpo em que você está é perecível. Um dia deixará de existir. O corpo
está em movimento. Você está em movimento. Desde quando? Desde que respirou pela primeira vez. Desde a primeira respiração. Coisa incrível! Antes disso era o éter. Então você respirou e o processo da vida começou a se desenrolar. Coisa poderosa. E veio outra respiração, e mais outra, e mais outra.

O desenrolar do mesmo processo que se dá com o universo é aquilo que veio a mim e me tocou, trazendo-me a dádiva da vida. Trazendo a mim todos os dias, todos os momentos, todas as estrelas. Isso é um milagre. Todo bebê que nasce é um milagre. Não entendemos isso, e é por isso que sofremos. Tendo tudo, achamos que não temos nada. Atormentados com nossos problemas, andamos aos tropeções pela vida.

No entanto, como é belo este momento. Não posso voltar para ontem, por mais que eu tente. E não importa quanto eu me esforce, não posso ir para amanhã. Para mim, essa é a suprema sabedoria. Estou aqui neste momento, e aqui tudo é maravilhoso.

Os jovens querem viver no futuro. Os mais velhos querem viver no passado. Ninguém quer viver no presente. E onde a alegria se colocou? Onde o entendimento se colocou? No presente.

Portanto, se alguma vez você se perguntar por que é tão difícil entender a vida, talvez a resposta seja: Você não vive onde a vida está. Você se acostumou com a confusão, e isso não é agradável.

O que se pode fazer? Aprender a viver no hoje. E o que é o hoje? Mais uma chance lhe foi dada de sentir plenamente o que é estar vivo. Espantoso. É o que vem ao caso em se tratando da vida.


Fonte:

domingo, 13 de julho de 2008

As Quatro Nobres Verdades de Buddha


As Quatro Nobres Verdades de Buddha



Assim foi dito por Buddha, o iluminado.

Por não compreender e não realizar quatro coisas,
que eu discípulos, da mesma forma que vocês,
tivemos que vagar tão longamente através desta
roda dos renascimentos.


E quais são essas quatro coisas?
  1. A nobre verdade do sofrimento.
  2. A nobre verdade da causa do sofrimento.
  3. A nobre verdade da extinção da causa do sofrimento.
  4. A nobre verdade da senda que leva à extinção do sofrimento.

Enquanto o absoluto e verdadeiro conhecimento e introspecção relativos a estas Quatro Nobres Verdades não estavam perfeitamente claros em mim, eu não estava certo que tinha atingido a suprema iluminação que é insuperável em todo o mundo.

Mas tão logo o absoluto e verdadeiro conhecimento e introspecção relativos a estas Quatro Nobres Verdades se tornaram perfeitamente claros em mim, surgiu a certeza que tinha atingido esta suprema iluminação insuperável.

Então descobri essa profunda verdade, tão difícil de perceber, difícil de compreender, tranqüilizante e sublime à qual não é para ser ganho por mero intelecto e é visível apenas ao sábio.



1ª - A Nobre Verdade do Sofrimento

Nascimento é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento, tristeza, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimento. Não ter o que se deseja é sofrimento, separação do que se deseja é sofrimento, união com o que não se deseja é sofrimento. Saudade é sofrimento, ser escravo de um passado já morto e um futuro inexistente é sofrimento. Ser presa fácil de estímulos exteriores de toda ordem é sofrimento. Quando sopram os ventos da sensibilidade nós vamos cegamente a sensualidade, quando sopram os ventos da raiva nós vamos cegamente a violência, quando sopram os ventos da agitação e preocupação nós vamos cegamente em direção a ansiedade e angústia, quando sopram os ventos da dúvida nós vamos cegamente ao ceticismo.

Todo sofrimento, assim como toda a nossa felicidade está na própria mente, pois nenhum inimigo nos poderá fazer tão infelizes quanto nossa mente mal dirigida. Também nenhum parente, seja pai, mãe ou irmão nos tornará tão felizes quanto nossa própria mente bem dirigida.

Em resumo, os cinco agregados da existência quando objetos de apego, isto é, quando tomados como “eu” e “meu” são sofrimento.

Os cinco agregados da existência são: corpo, sensações, percepções, consciência e formações mentais.



2ª - A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento

Qual é a causa do sofrimento? é a ignorância, o desejo, o apego, a cobiça, o ódio, e a ilusão. Mas aonde o desejo e a ignorância surgem? aonde estão suas raízes? Aonde houver coisas deliciosas e agradáveis lá o desejo e ignorância surgem, lá eles têm as suas raízes.

Visão, audição, olfato, paladar, tato e a mente são deliciosos e agradáveis lá o desejo e a ignorância surgem, lá eles fincam raízes. Quando percebemos um objeto pela visão, se o objeto é agradável a pessoa é atraída e se é desagradável a pessoa o repele.

Então, seja qual for a sensação que experimente, se a pessoa o aprova e acha agradável então a sensação condiciona o desejo, e desejando a pessoa se apega ao objeto desejado. Então o desejo condiciona o apego. Quando a pessoa se apega ela irá agir pela palavra ou pelo o corpo para possuir o objeto desejado.

Deste modo, então o apego condiciona a ação (Karma) ou processo de vir a ser. O processo de vir a ser (ou existência) condiciona o nascimento.

Dependendo do nascimento, a decadência e a morte, tristeza e lamentação dor e pesar, ressentimento e desespero.

Assim surge essa imensa massa de sofrimento.



3ª - A Nobre Verdade da Extinção da Causa do Sofrimento

O que é a extinção do sofrimento? É a completa erradicação e desaparecimento da ignorância, desejo, apego, cobiça, ódio e ilusão e em conseqüência o abandono e libertação da ilusão do EU e do MEU.

Com a extinção da ignorância o desejo é extinguido.

Pela cessação do desejo cessa-se o apego.

Pela cessação do apego o processo de vir a ser ou as ações (Karma) é extinguido.

Pela cessação de vir a ser ou existência, o nascimento é extinguido.

Pela cessação do nascimento, a decadência e a morte, tristeza e a lamentação, dor pesar, ressentimento e desespero serão extinguidos.

Assim se dá a extinção de toda esta massa se sofrimento.




Nirvana

Isso verdadeiramente é a paz, isto é, o mais elevado a saber o fim de todas as formações Kármicas, o abandono de todo substrato de ressarcimento, o fim da ignorância, do desejo, e apego, da cobiça, ódio e ilusão.

Encantado pelo desejo, irado pela cobiça, vendado pela ilusão, derrotado com a mente enganada, o homem, pela ignorância provoca a sua própria ruína, a ruína de outros e a ruína de ambos, e ele experimentará sofrimento mental e pesar. Mas se a ignorância e desejo e apego, cobiça, ódio, e ilusão forem abandonados, o homem não mais provocará a sua própria ruína, a ruína de outros, nem a ruína de ambos, não mais experimentando sofrimento mental e pesar.

Assim é o Nirvana, imediato, visível nesta vida, convidado, atrativo e compreensível apenas pelo sábio.

A extinção completa, total e global, sem deixar qualquer vestígio da ignorância, desejo e apego, cobiça, ódio e ilusão, isto verdadeiramente é chamado de NIBBANA.



O Arahat (Monge) - O Santo Sábio e Iluminado

E para o discípulo assim livre, em cujo coração reina a paz não há nada mais a ser acrescentado àquilo que ele já faz, nem nada mais resta para ele a fazer. Como uma sólida massa de rocha. Formas visuais ou sons, odores ou gostos, contatos de qualquer natureza, o desejável ou o indesejável, nada poderá fazê-lo entrar em vibração, inabalável está a sua mente. Foi ganha a libertação.

E ele que já atingiu o supremo equilíbrio e equanimidade à todas as coisas deste mundo, não é mais perturbado por nada, seja o que for. Ele está livre da raiva, da tristeza e da saudade, ele passou além do nascimento, decadência e morte.



4ª - Nobre Verdade da Senda que Leva à Extinção do Sofrimento

Os dois extremos e a Senda do meio. Os prazeres sensuais, o comum, o vulgar, o mundano, sem qualquer sentido para o progresso na Senda espiritual. Ou:

A mortificação do corpo que é dolorosa e também sem vantagem qualquer para a vida santa.

Ambos estes extremos, o iluminado evitou e descobriu a Senda Média, a qual propícia qualquer um ver e a compreender, leva à paz, ao discernimento, a iluminação e ao NIBBANA.



E qual é a Senda do Meio? É a nobre Senda Óctupla:

1) Palavra Correta

2) Ação Correta

3) Meio de Vida Correto (Moralidade)

4) Esforço Correto

5) Plena Atenção Correta

6) Concentração Correta (Concentração)

7) Correta Compreensão

8) Correto Pensamento (Sabedoria)



Livre da dor e tortura é esta Senda, livre de lamentos e sofrimento uma Senda perfeita. Verdadeiramente, como esta Senda não existe outra para a purificação dos seres. Se você seguir está Senda porá fim ao sofrimento. Mas cada um tem que lutar por si próprio, o iluminado apenas aponta o caminho.



1) Palavra Correta

a) Abster-se de mentir e de Caluniar.

b) Abster-se de levar e de trazer conversas que causem desarmonia e discórdia.

c) Abster-se de palavras pesadas, duras e ofensivas.

d) Abster-se de tagarelice e de conversas frívolas.



2) Ação correta

a) Abster-se de destruir os seres vivo, isto é, não matar.

b) Abster-se de pegar para nós aquilo que não nos pertence, isto é, não roubar.

c) Abster-se de errôneo comportamento sexual ( infidelidade, adultério etc.)

d) Abster-se de tóxicos e de bebidas alcoólicas que entorpeçam a mente.



3) Meio de vida correto

Abster-se de profissões como:

a) caçador, pescador, abatedor;

b) comércio de armas e drogas, bebidas, cigarros etc.

O meio de vida deve ser honesto, para o bem comum e nunca prejudicando e explorando nosso semelhante.



4) Esforço Correto

a) O Esforço de evitar o mal.

b) O Esforço de superar o mal.

c) O Esforço de fazer surgir o bem.

d) O Esforço de manter e de desenvolver o bem.



5) Plena Atenção Correta

a) Atenção sobre o corpo

b) Atenção sobre as sensações.

c) Atenção sobre os estados de consciência.

d) Atenção sobre os objetos da mente.



6) Concentração Correta

A concentração é a mente unipolarizada, isto é: mente voltada para um único ponto.

Existem cinco obstáculos para o desenvolvimento da concentração:

l - Sensualidade (luxúria)

II - Raiva, ira, ódio.

III - Sonolência, preguiça e torpor.

IV - Agitação e preocupação.

V - Dúvida



7) Correta Compreensão

a) Compreender as quatros nobres verdades.

b) Compreender as três características da existência.

c) Compreender as ações meritórias e a raiz dessas ações.

d) Compreender as ações demeritórias e a raiz dessas ações.



a) As Quatros Nobres Verdades

O homem comum, desprovido de correta compreensão, é ignorante dos ensinamentos dos homens Santos e não é treinado na nobre doutrina. Seu coração é possuído e dominado pela:



1) Ilusão da existência de um eu;

2) Pela dúvida;

3) Pelo apego e meras regras e rituais;

4) Pelo desejo sensual;

5) Pela raiva.



E como livrar-se destas coisas ele não sabe! Não sabendo o que é digno de considerações e o que é indigno (para libertar-se desses cinco grilhões) ele acaba considerando justamente o que é indigno e não o que é digno.



E pela ignorância ele se preocupa e reflete dessa maneira:

O mundo é eterno ou temporal? Finito ou infinito? O princípio vital é idêntico ao corpo ou alguma coisa diferente? O Buda continuará depois a morte ou não? Eu existi no passado ou não existi numa vida passada? O que eu fui na vida passada? Quem eu fui na vida passada? Eu existirei numa vida futura ou eu não existirei numa vida futura? Eu sou ou eu não sou? O que sou eu? Como sou eu? Este ser, de onde ele veio, para onde vai? "Sábias" Considerações!

O instruído e nobre discípulo entretanto, que sabe os ensinamentos dos homens Santos e é bem treinado na nobre doutrina; compreende o que é digno de consideração e o que é indigno. E assim sabendo, ele considera o digno e não o indigno.

O que é sofrimento, ele sabiamente considera.

O que é a origem do sofrimento, ele sabiamente considera.

O que é a extinção do sofrimento, ele sabiamente considera.

Qual é a Senda que leva a extinção do sofrimento, ele sabiamente considera.



b) As três características da existência são:

1) Impermanência

2) Insatisfatoriedade

3) Impessoalidade



O corpo é impermanente, as sensações, são impermanentes, as percepções são impermanentes, as formas mentais são impermanentes, e as consciências são impermanentes. E tudo o que é impermanente é sujeito ao sofrimento e mudança, não se pode corretamente dizer:

isto pertence a mim,

isto sou eu,

isto é o meu ego.



Assim como a bolha d’água é oca, vazia e insubstanciável, da mesma forma todos os fenômenos psíco-físicos são também ocos, vazios e sem um ego.


c) As ações Meritórias são de três tipos:

1) Pelo corpo, o mesmo que ação correta.

2) Pelo o verbo, o mesmo que Palavra Correta.

3) Pela mente, o mesmo que Pensamento Correto.



Quais são as raízes das Ações Meritórias:

1) Renúncia

2) Desapego

3) Boa vontade

4) Benevolência

5) Generosidade

6) Moralidade

7) Meditação

8) Reverência, gratidão e respeito

9) Serviço inegoísta ao próximo

10) Transferência de mérito

11) Alegrar-se com o sucesso e o mérito de outros.

12) Ouvir o Dhamma (Doutrina)

13) Expor o Dhamma

14) Ter corretos pontos de vista e correta compreensão

15) Gratidão

16) Respeito.



As Ações Demeritórias são também de três tipos:


1) Pelo corpo: destruir seres vivos roubar e explorar, adultério, ingerir tóxicos e bebidas alcoólicas.

2) Pelo verbo: mentir e caluniar, levar e trazer conversas, palavras pesadas, duras e ofensivas, tagarelice e conversas frívolas.

3) Pela mente: cobiça-egoísmo, vaidade, má vontade, ódio e raiva, errôneos pontos de vista



As raízes das Ações Demeritórias são:

Cobiça, ódio, ilusão ou ignorância, egoísmo.



8) Pensamento Correto

São todos os pensamentos baseados na renúncia e desapego, tais como:

Boa vontade, benevolência e amor.

Bondade e camaradagem.

Correta compreensão e corretos pontos de vista.

Todo pensamento que for motivado pela Cobiça, Ódio, ilusão e ignorância, egoísmo, vaidade, inveja etc. Serão necessariamente pensamentos incorretos.

Que todos os seres que estejam em sofrimento, possam se libertar do seu sofrimento.

Que todos os seres que estejam inseguros e com medo, possam se libertar de sua insegurança e do seu temor.

Que todos os seres que estejam tristes e em lamento, passam se libertar de sua tristeza e da sua lamentação.

Pela realização dessas afirmações que todos os seres, sem nenhuma exceção, possam se sentir verdadeiramente muito bem e muito felizes.

Gassho

Possa ser esse para o bem de todos os seres.



Getulio Taigen



Texto retirado da página Budismo Simples

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Se eu tivesse...

"Se eu tivesse de começar a vida de novo, gostaria de errar mais vezes. De relaxar, de ser mais flexível. Teria mais simplicidade.

Poucas coisas faria com seriedade. Correria mais riscos. Viajaria mais. Subiria em mais montanhas e nadaria em mais rios. Tomaria mais sorvetes e comeria menos feijão. Talvez agora estivesse com mais problemas. Porém, teria menos ilusões.

Como vê, sou uma dessas pessoas que vivem com sensatez e juízo, hora após hora, dia após dia. Oh, já tive meus momentos, e se os tivesse de novo eu os multiplicaria. De fato, eu tentaria não ter nada além deles. Só os momentos, um após outro, em vez de viver tantos anos sempre à frente dos dias.

Fui uma dessas pessoas que nunca foi a nenhum lugar sem um termômetro, uma garrafa de água quente, uma capa de chuva e um pára-quedas. Se pudesse fazer tudo de novo, viajaria com mais descontração.

Se eu tivesse de começar a vida de novo, ficaria descalça bem cedo na primavera e permaneceria assim até o fim do outono. Iria mais vezes aos bailes e freqüentaria mais os parques de diversão.

Escolheria o que fosse mais gratificante."



Nadine Stair, 85 anos de idade
Louisville, Kentucky

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sexta-feira, 14 de março de 2008

A Aceitação do Agora


A Impermanência e os Ciclos da Vida

Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas acontecem e dão certo, e os ciclos de fracasso, quando elas não vão bem e se desintegram. Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço para que coisas novas aconteçam ou se transformem. Se nos apegamos às situações oferecemos uma resistência nesse estágio, significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer. É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam. Um ciclo não pode existir sem o outro.

O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual. Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou passado por alguma perda profunda, ou por algum sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual. Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se trasformado em fracasso. O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso. No mundo da forma, todas as pessoas “fracassam” mais cedo ou mais tarde, e toda conquista acaba em derrota. Todas as formas são impermanentes...

Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos, e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos. Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia, que são fundamentais para uma renovação. Enquanto estivermos identificados com a mente, não podemos evitar a compulsão de fazer e a tendência para extrair o nosso valor pessoal de fatores externos, tais como as conquistas que alcançamos. Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam. Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a permitir que uma necessária renovação possa acontecer.

Enquanto a mente julgar uma circunstância “ boa”, seja um relacionamento, uma propriedade, um papel social, um lugar ou o nosso corpo físico, ela se apega e se identifica com ela. Isso faz você se sentir bem em relação a si mesmo e pode se tornar parte de quem você é ou pensa que é.

Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a mesma condição que era boa no passado, de repente, se torna ruim. A mesma condição que fez você feliz agora faz você infeliz. A prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã. O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam no divórcio
infeliz ou em uma convivência infeliz. A mente não consegue aceitar quando uma situação à qual ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo. Isso significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa.

Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz. Nesse estado, nada depende de as coisas serem boas ou ruins... Observe as plantas e os animais, aprenda com eles a aceitar aquilo que é e a se entregar ao Agora.
Deixe que eles lhe ensinem o que é Ser.
Deixe que eles lhe ensinem o que é integridade – estar em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro. Aprenda como viver e como morrer, e como não fazer do viver e do morrer
um problema.



Do livro PRATICANDO O PODER DO AGORA,
do escritor e líder espiritual Eckhart Tolle